quinta-feira, 26 de julho de 2012

Para este ano quero abraços… Sol… Mar… Areia… Quero (re)leitura com sabor a cultura portuguesa… «Poesia do Eu», de Fernando Pessoa, «O Labirinto da Saudade», de Eduardo Lourenço... Quero leituras com sabor a diferentes culturas … «O Livro dos Saberes», organizado por Constantin von Barloewen, com entrevistas a André Gide, Henry James, Marcel Proust, Whalt Whitman… É isso… É oficial… Chegou o meu momento, amigos e amigas… Estou de férias… Ainda incrédula… Só vendo… Só colocando a mão e o pé acreditarei… Para todos vocês que estão como eu aqui ficam os votos de boas férias e até breve…

«Quando se coloca individualmente a um cientista a questão: «O que é a vida?», falam-nos do que substitui a vida, e das reacções ou fórmulas em que se reflete. Isto equivale mais ou menos questionarmo-nos «O que é um livro?» e obter esta resposta: decompomo-lo, analisamos o papel, observamos ao que se assemelham as letras e com que tinta foram impressas – mas ignoramos o que verdadeiramente se encontra no livro. O mesmo se aplica nas ciências da natureza, também não no-lo dizem. Nenhum cientista, ninguém, sabe o que é a vida» (Chargaff, Erwin, 2009, 67-68).

sábado, 21 de julho de 2012

É meu e só meu…, este fado.

Nosso não! Nosso não!

Fado pertence a quem tem a respiração estampada no papiro.

Fado dactilografado a preto na pedra branca.

Não é rascunho. É original.

Escrito com pena e pela pena que não mais pertence…

É meu e só meu…, este fado.

Nosso não! Nosso não!

Fado pertence a quem arruína alforria.

Agora anexa a um aristocrático.

Encerrada no mosteiro com liame sombrio.

Fado com moldura, de encaixe, negra …

Lacrado em baú…

Pelo tratado de um cultivo… Amanho fóssil… Dogmático!

É meu e só meu…, este fado.

Nosso não! Nosso não!

AJO
«Quando nos consagramos à astronomia, à bioquímica ou a uma disciplina da mesma ordem, ficamos sobretudo impressionados pela beleza. Não somente pela harmonia ou pela diversidade desconcertante do mundo, mas, concretamente, pelo milagre que se manifesta por exemplo já na associação de numerosas células no seio do organismo de um feto. Se, no fim de nove meses de gravidez, alinhássemos todos os fios de ADN desta criança, obteríamos um percurso um milhão de vezes maior do que ir e vir à Lua. O facto de uma mulher trazer ao mundo uma criatura concebida de uma maneira tão engenhosa não pára de me surpreender e entusiasmar. Podemos dizer que se o homem não compreende a beleza, o homem não compreende absolutamente nada. É ela e só ela que nos salva e nunca a poderemos dissociar da verdade». (Serres, Michel, 2009, 386)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

«O amor é a única solução. Mas ele só existe raramente e muito mais raramente entre duas pessoas. De uma maneira, geral, é consumido pelo poder, pelo dinheiro, pela concorrência e pela dispersão. Mas os que se dedicam ao amor constituem a aristocracia secreta da humanidade. Não se encontra e apenas se vê naqueles seres. Eles não são nem presidentes da República, nem cientistas, nem financeiros, fazem-se notar pela sua simplicidade e talvez seja esta a chave da santidade. São o sal da terra, dos quais fala o Evangelho. O amor seria a solução para todo o ser humano, mas ninguém quer. Enfim, fala-se muito, mas a cada instante da vida é necessário senti-lo e mostrá-lo do mais profundo do nosso coração, com uma fidelidade inabalável – infelizmente, é a grande excepção e isso constitui provavelmente a nossa maior tragédia» (Serres, Michel, 2009, 392)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

«Encontramo-nos de novo, no limiar do inesperado e do imprevisível. Se me interrogar sobre o sentido da vida e, portanto, também sobre o sentido, a direcção que ela dá em particular ou em geral, respondo-lhe que nós nunca o saberemos. Não conhecemos nem o objectivo das evoluções futuras nem o da história em si. Felizmente, as pessoas têm crianças que são por vezes desobedientes, que fazem o que os pais não estão à espera, e que resolvem assim os problemas face aos quais os adultos ficam desamparados. Obviamente, criam a seguir novos problemas. Portanto, o sentido da vida revela-se justamente neste género de mudanças de direcção que parecem ramificações contínuas das árvores» (Serres, Michel, 2009, 386)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Saudade. Definitivamente é saudade o que inquieta o batimento cardíaco. Saudade o que queima os ventrículos e os átrios. Saudade o que molha a epiderme. Saudade o que come a ação e planta a inércia. Saudade o que manipula o pensamento e arquiteta o sonhar acordado. É saudade o ingrediente que forma as plaquetas… Saudade o aroma do oxigénio. Saudade… Tão-somente saudade o que protela o respirar... Tão-somente?! E sirva o tempo para aniquilar a saudade… Aniquilar? Aniquilar ou dilatar? Aniquilar… Aniquilar… Outra coisa não… Outra coisa não…

AJO