quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal e Excelente 2010. Um Poema...

NATAL, E NÃO DEZEMBRO

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.

domingo, 20 de dezembro de 2009

...

Não sei
Não sabe ninguém
Porque canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento,
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
*
Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu o oiro ao Sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
*
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu luto as andorinhas
E deu-me esta voz a mim
*
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura e talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando,
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
*
Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
*
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à Primavera
E deu-me esta voz a mim

Alberto Janes
*

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

...

A vida é demasiado curta e o sofrimento demasiado grande...
Mas... se assim não fosse...
Não seria vida...

sexta-feira, 27 de março de 2009

...

"Amigos, antes de mais!
Amantes, também da música-artesanato, lugar familiar, refúgio de
todos os sonhos:
A inspiração chega numa brisa embaladora de fados e barcarolas,
talvez numa ria… Possivelmente em Aveiro…
Ecos de fado, acordes de balada, palavras ditas por uma guitarra sem
pauta, raiz-fantasma de uma musa que se fez ao mar e de lá trouxe
lendas e narrativas, graças e desgraças, tradições castiças, amores
imaginados, sonhos como o mundo, dias parados, tempestades… e
saudade.
Quanta saudade… daquela serenata dedicada à janela aberta,
rendida de par em par ao sentimento… de um olhar que repousa o
pensamento na fantasia das palavras que ouve.
Eis então o registo destes sentimentos e impressões, vontades e
desejos que a ria guardou durante estes anos.
Do coração do trovas e serenatas brota para todos o fado à ria.

Aveiro, Maio 1999
Trovas e Serenatas"

domingo, 15 de março de 2009

(...)

Porque treme a tua mão?
É medo, senhor,... é medo.
Porquê esse medo?
Incertezas, senhor,... incertezas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

É tempo...

... de lágrimas, de sorrisos tímidos e caídos
É tempo de olhares frios, subjugados, perdidos, e distantes
É tempo de receios, apreensões, pânico, desconfiança, insegurança, medo
É tempo de fome, sede, frio, arrepios
...
É tempo de um tempo que não se queria que fosse tempo, mas que é tempo...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

...

É no silêncio que te ouço...
No vento que sopra que te cheiro...
Na gota de chuva que cai que te provo...
É na geada que sinto o calor do teu corpo...
...
E assim se alimentam as tardes frias de Inverno...



'white destinations', originally uploaded by Ainav...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quando está frio no tempo do frio

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno -
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar -
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.
Alberto Caeiro (1917)

domingo, 4 de janeiro de 2009

...

Hoje, quero ouvir falar o mar... a lua...
Amanhã, quero ouvir falar o mar... o sol...
Hoje e amanhã, quero ouvir falar a vida.

, originally uploaded by flickring Nemo / Manuel.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

“Quando um Homem Quiser”

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.


(Ary dos Santos)