quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

É tempo...

... de lágrimas, de sorrisos tímidos e caídos
É tempo de olhares frios, subjugados, perdidos, e distantes
É tempo de receios, apreensões, pânico, desconfiança, insegurança, medo
É tempo de fome, sede, frio, arrepios
...
É tempo de um tempo que não se queria que fosse tempo, mas que é tempo...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

...

É no silêncio que te ouço...
No vento que sopra que te cheiro...
Na gota de chuva que cai que te provo...
É na geada que sinto o calor do teu corpo...
...
E assim se alimentam as tardes frias de Inverno...



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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quando está frio no tempo do frio

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno -
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar -
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.
Alberto Caeiro (1917)