segunda-feira, 5 de março de 2012

Deve chamar-se tristeza

Deve chamar-se tristeza

Isto que não sei que seja

Que me inquieta sem surpresa

Saudade que não deseja.

Sim, tristeza - mas aquela

Que nasce de conhecer

Que ao longe está uma estrela

E ao perto está não a Ter.

Seja o que for, é o que tenho.

Tudo mais é tudo só.

E eu deixo ir o pó que apanho

De entre as mãos ricas de pó.

Fernando Pessoa

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