quinta-feira, 31 de maio de 2012

Acaba o que não pode começar.

Dá o que não pode dar.

Há viver e não se pode viver.

Sente-se e pode-se sentir…

Resta o alívio de poder sentir …

Alívio?

AJO

segunda-feira, 28 de maio de 2012

No diálogo com o silêncio…

… acontece o grande sentir.

… a dor sente-se.

… o amor vive-se.

… a vida ocorre na plenitude de um viver amadurecido e sentido.

No diálogo com o silêncio…

AJO

sábado, 26 de maio de 2012

O cérebro desconhece o coração. E o coração desconhece o cérebro. Ambos sabem que existem e que vivem no mesmo espaço físico, mas estranham-se. Desconhecem os problemas que lhes são diagnosticados. Este desconhecimento é muito aborrecido. Porque se ambos resolvessem conversar, muitos problemas estavam resolvidos. A medicina dava um passo em frente. AJO

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ausência é presença. Dolorosa. Não. Muito dolorosa. Mas como sentir falta sem ardência?

... ...

Ria... Lenitivo dos amores. Conforto dos apaixonados. Consolação dos amantes. Refrigério dos desesperados. Alívio dos tristes. Emoliente de quem sofre. Ócio dos que querem, mas não podem… É lenitivo… Ria...

AJO

domingo, 20 de maio de 2012

Sinceramente, não me lembro do último dia em que vi televisão sentada no meu sofá – acredito que tenha sido no fim do ano de 2011 ou início de 2012. Hoje lembrei-me de me sentar no sofá e de a ligar. E ainda bem. Assisti a uma Grande e Singular entrevista do Professor Alexandre Quintanilha a António José Teixeira, na SIC Notícias. As palavras do Professor abriram-me os lábios.... Humedeceram-me os olhos... Encheram-me a alma... Ofereceram-me pão e água… Estou pronta para «… passar além do Bojador…».

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Pensa-se que nunca se perde o que nunca se encontrou. Como não se descobriu… Não se soube... Não se viu... Não se sentiu… E também não se viveu… O predicado está errado. Perde-se… porque nunca se ousou.

AJO

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Abraçar a utopia. O passo para o paraíso? Um paraíso onde o negro desenha a escuridão, como sinal de quem um dia ousou abraçar a fantasmagoria. O éden não é mais hoje o que foi ontem - como o tempo, também muda de cor. Pigmentação de um semblante carregado. Próprio de quem um dia viu-se confrontado com quem quis enlaçar a quimera.

AJO

segunda-feira, 14 de maio de 2012

‎"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Entupo-me de ausências, Esvazio-me de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos. Pouco não me serve, médio não me satisfaz, metades nunca foram meu forte! Todos os grandes e pequenos momentos, feitos com amor e com carinho, são pra mim recordações eternas. Palavras até me conquistam temporariamente... Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre. Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca.” Clarice Lispector

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Lance é alcance. Mesmo áspero, é movimento que entre a mente leva ao acontecimento. Sem consentimento? No lunar, o sentimento não precisa de consentimento.

AJO

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A amizade é como as flores. Planta-se. Rega-se. Protege-se. Cuida-se. Alimenta-se. Pétala a pétala…, folha à folha vai desabrochando. Quando florida colhe-se e coloca-se na lapela. A partir desse dia não se é mais a mesma. É-se a soma do eu com eles/as. O resultado é nós. Nunca mais se repousa. O trabalho aumenta. É cíclico… Planta-se. Rega-se. Protege-se. Cuida-se. Alimenta-se. E que bem que sabe…

AJO

terça-feira, 8 de maio de 2012

Bate forte. Muito forte. Como que chamando a morte. Bate forte e arrebate. Como se fosse arte. Bate forte a escuridão. Que nem lugar dá ao clarão. Quer ser vida… Mais não é do que a ida.

O bater não é mais forte. Forte mesmo... Só a morte.

AJO

domingo, 6 de maio de 2012

Os sentimentos que mais doem, as emoções que mais pungem, são os que são absurdos - a ânsia de coisas impossíveis, precisamente porque são impossíveis, a saudade do que nunca houve, o desejo do que poderia ter sido, a mágoa de não ser outro, a insatisfação da existência do mundo. Todos estes meios tons da inconsciência da alma criam em nós uma paisagem dolorida, um eterno sol-pôr do que somos...O sentirmo-nos é então um campo deserto a escurecer, triste de juncos ao pé de um rio sem barcos, negrejando claramente entre margens afastadas. In Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

terça-feira, 1 de maio de 2012

«Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer. Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. Somos ocos não só por dentro, senão também por fora, párias da antecipação e da promessa.»

Fernando Pessoa.Livro do Desassossego