terça-feira, 25 de setembro de 2012

Comunicação

«Não só a inteligência, senão a mesma grandeza e energia das cousas que se dizem, depende muito do modo com que se dizem. A razão deu em outro lugar o mesmo Santo Agostinho, tão douta e bem assentada como sua: o defeito e o excesso no dizer são dons contrários. O defeito diz mesmos do que convém, o excesso diz mais do que convém: e no meio destes dois extremos está o modo, o qual emenda o defeito, para que não diga menos, e modera o excesso, para que não diga mais. Sendo esta pois a inteireza e perfeição do modo, não há duas cousas em que o mesmo modo seja mais dificultoso de se guardar, e em que tenha maior perigo de se perder ou perverter, que no louvar e no pedir. No louvar, por menos; porque de nenhuma cousa são mais avarentos os homens que do louvor: e no pedir, por mais; porque de nenhuma são mais pródigos que do desejo de receber».

Padre António Vieira, Sermão do Rosário - Segundo

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